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Prêmio Nobel de Química celebra dois cientistas que desvendaram um mistério de 4 bilhões de anos

Nobel de Química premia pesquisa com moléculas quirais O Prêmio Nobel de Química de 2026 reconheceu dois cientistas que desvendaram como se formam algumas s...

Prêmio Nobel de Química celebra dois cientistas que desvendaram um mistério de 4 bilhões de anos
Prêmio Nobel de Química celebra dois cientistas que desvendaram um mistério de 4 bilhões de anos (Foto: Reprodução)

Nobel de Química premia pesquisa com moléculas quirais O Prêmio Nobel de Química de 2026 reconheceu dois cientistas que desvendaram como se formam algumas substâncias fundamentais para a vida. O trabalho deles abriu caminho para novos medicamentos. Era um mistério que, até então, só a natureza dominava. Os vencedores do Nobel, o francês Henri Kagan e o japonês Kenso Soai, dedicaram anos de pesquisa para entender o comportamento de moléculas chamadas quirais. São moléculas muito parecidas, formadas pelos mesmos átomos, mesmas ligações, mas montadas de jeitos diferentes, como se uma fosse a imagem espelhada da outra. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia "A gente pode pegar como exemplo a forma das nossas duas mãos. São praticamente iguais, quando eu coloco assim, uma junto da outra. Mas, quando eu tento sobrepor, elas não se encaixam, são diferentes. E tem algumas moléculas, como os aminoácidos, que formam as proteínas do nosso corpo, que têm essa mesma característica. Podem até existir em dois modelos muito parecidos, mas não são iguais e não funcionam da mesma maneira”, explica o correspondente Murilo Salviano. Prêmio Nobel de Química celebra dois cientistas que desvendaram um mistério de 4 bilhões de anos Jornal Nacional/ Reprodução E a natureza é seletiva: não trata essas duas moléculas da mesma forma. Praticamente só produz uma delas, e isso intrigava os cientistas: por que, dentro de um laboratório, uma reação química produz, em geral, metade de uma versão e metade de outra, mas a natureza, de forma sábia, praticamente só produz um desses tipos? O problema é que as duas versões podem produzir efeitos bem diferentes. Quando usadas em remédios, uma pode curar e a outra pode não fazer nada, ou até causar efeitos colaterais graves. Um caso famoso é o da talidomida - até hoje usada contra alguns tipos de câncer, complicações da hanseníase e do HIV. No fim dos anos 1950, foi comercializada para tratar do enjoo de grávidas, mas causou deficiências graves em milhares de bebês. Resolver esse mistério era questão vital para produzir medicamentos com as moléculas exatas que o nosso corpo necessita. O professor Henri, da Universidade Paris-Sud, começou as pesquisas na década de 1980. Ele descobriu um jeito de alterar as reações químicas para produzir mais moléculas de apenas um tipo. Mas foi em 1995 que o professor Kenso, da Universidade de Ciências de Tóquio, publicou um artigo na revista “Nature” com um avanço nessa técnica, com resultados mais eficientes. Kenso contou que esta quarta-feira (7) era o dia mais incrível da vida dele. Ele estava indo ao mercado comprar comida quando recebeu a ligação da equipe do Nobel. O comitê considerou essa uma questão fundamental, uma dúvida que durava quatro bilhões de anos, desde o surgimento da vida no planeta. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Nobel de Química 2026: entenda pesquisa que revelou o mistério das moléculas espelho Nobel de Química 2026 vai para Henri Kagan e Kenso Soai pela descoberta sobre como moléculas 'escolhem' um lado O que é o mistério da assimetria da vida que rendeu Nobel de Química a cientistas