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Parou o GLP-1? Estudo testa estratégias para reduzir o reganho de peso

Como evitar o reganho de peso após parar as canetas emagrecedoras? Estudo testa estratégias Adobe Stock Interromper o uso de medicamentos da classe dos GLP-1 ...

Parou o GLP-1? Estudo testa estratégias para reduzir o reganho de peso
Parou o GLP-1? Estudo testa estratégias para reduzir o reganho de peso (Foto: Reprodução)

Como evitar o reganho de peso após parar as canetas emagrecedoras? Estudo testa estratégias Adobe Stock Interromper o uso de medicamentos da classe dos GLP-1 depois de emagrecer costuma vir acompanhado de um desafio: evitar que os quilos perdidos voltem rapidamente. Um novo estudo indica que oferecer suporte estruturado logo após a suspensão do tratamento pode ajudar a reduzir esse reganho de peso. Em um pequeno ensaio clínico randomizado, pesquisadores acompanharam 39 adultos que haviam perdido mais de 10% do peso corporal com medicamentos da classe dos GLP-1 e tinham interrompido o tratamento havia menos de 30 dias. Durante quatro meses, eles foram divididos entre: cuidados habituais uso de um aplicativo digital de bem-estar ou recebimento de refeições preparadas e adaptadas às necessidades médicas. A diferença observada foi expressiva: quem recebeu apenas os cuidados habituais ganhou, em média, 10,75% do peso corporal durante o período. Entre aqueles que utilizaram o aplicativo, o aumento foi de 3,60%. No grupo das refeições personalizadas, de 3,58%. Siga o canal do g1 Bem-Estar no WhatsApp Agora no g1 Os resultados, publicados na revista científica Obesity Science & Practice, sugerem que estratégias nutricionais e comportamentais podem ajudar justamente no período considerado mais vulnerável após a interrupção dos medicamentos. Os próprios pesquisadores, porém, ressaltam que o trabalho é piloto, reuniu poucas pessoas e acompanhou os participantes por apenas quatro meses — por isso, os resultados ainda precisam ser confirmados em estudos maiores e mais longos. Por que o peso pode voltar após interromper o GLP-1? Os agonistas do receptor de GLP-1 são tratamentos eficazes contra a obesidade, mas nem todas as pessoas conseguem ou desejam continuar usando os medicamentos indefinidamente. Entre os motivos para a interrupção estão custo, limitações de cobertura pelos planos de saúde, efeitos colaterais e preferência do próprio paciente. O problema é que a suspensão pode ser seguida por um rápido reganho de peso. Segundo o estudo, trabalhos anteriores mostram que esse aumento tende a ser mais acentuado justamente nos primeiros três a quatro meses depois da interrupção abrupta. No período de um ano, a maioria dos pacientes recupera pelo menos metade do peso que havia perdido. Há uma combinação de fatores por trás desse processo. A perda de peso provoca adaptações biológicas compensatórias que aumentam a fome e reduzem a saciedade e o gasto energético. Ao mesmo tempo, aspectos comportamentais e ambientais — como estímulos relacionados à comida, acesso a alimentos saudáveis e capacidade de manter novos hábitos — também influenciam o risco de recuperar os quilos perdidos. Foi justamente sobre esses componentes comportamentais e ambientais que os pesquisadores decidiram agir. Aplicativo ou refeições prontas: o que foi testado? O estudo foi realizado entre março de 2024 e agosto de 2025 e ocorreu de forma totalmente remota. Os 39 participantes foram distribuídos aleatoriamente em três grupos e acompanhados durante quatro meses. No primeiro, 14 pessoas receberam os cuidados habituais oferecidos por seus profissionais de saúde. Esse acompanhamento poderia incluir orientação nutricional, atividade física e aconselhamento sobre estilo de vida, mas não foi padronizado pelos pesquisadores. Outras 12 pessoas receberam uma assinatura do aplicativo digital de bem-estar Noom. A ferramenta trabalha com estratégias comportamentais voltadas ao controle do peso, incluindo automonitoramento da alimentação, atividade física e peso, além de orientações para reconhecer e enfrentar estímulos que favorecem o consumo excessivo de alimentos. Os participantes foram orientados a utilizar o aplicativo por pelo menos 15 minutos diariamente. O terceiro grupo, com 13 participantes, recebeu refeições adaptadas às necessidades médicas. Cada pessoa podia escolher dez refeições por semana (40 por mês) entre mais de 70 opções da categoria voltada ao bem-estar e controle do peso. Os alimentos eram entregues nas casas dos participantes durante os quatro meses da pesquisa. As duas estratégias atuavam de maneiras diferentes. O aplicativo buscava desenvolver habilidades de automonitoramento e mudança de comportamento. Já as refeições prontas modificavam diretamente o ambiente alimentar, diminuindo a necessidade de planejar o que comer e oferecendo porções previamente definidas. Reganho foi cerca de três vezes maior com cuidados habituais Todos os participantes tinham interrompido o GLP-1 havia menos de 30 dias. A idade média era de 49,9 anos, o peso inicial médio, de 85,7 kg, e o IMC médio, de 31,4 kg/m². Antes de entrar no estudo, eles haviam perdido, em média, 18,1% do peso corporal durante o tratamento com GLP-1. Do total, 82,1% eram mulheres. O peso foi acompanhado por balanças Bluetooth. Ao fim dos quatro meses, o modelo estatístico estimou um aumento de: 10,75% no grupo de cuidados habituais; 3,60% entre os usuários do aplicativo; 3,58% entre aqueles que receberam as refeições adaptadas. Isso significa que o reganho percentual observado no grupo de cuidados habituais foi cerca de três vezes o registrado nos outros dois grupos. A velocidade com que o peso aumentou também foi diferente. No grupo controle, o ganho estimado foi de 2,94% do peso corporal por mês. A taxa ficou em 0,42% ao mês no grupo do aplicativo e em 0,61% ao mês entre os participantes que receberam as refeições. As diferenças em relação ao controle foram estatisticamente significativas. Mesmo depois de uma análise que levou em consideração o peso inicial e quanto cada participante havia emagrecido durante o tratamento com GLP-1, as duas intervenções permaneceram estatisticamente associadas a um reganho menor. Por que as estratégias podem ter funcionado? Os pesquisadores avaliam que as intervenções podem atuar sobre diferentes fatores envolvidos no reganho de peso. O aplicativo exige que a pessoa acompanhe os próprios comportamentos, reflita sobre os hábitos e desenvolva estratégias de autorregulação. Isso requer envolvimento frequente do usuário. As refeições personalizadas seguem outro caminho: reduzem parte desse esforço. Como os pratos chegam preparados e com as porções já estabelecidas, diminuem a necessidade de decidir e preparar o que será consumido. Segundo os pesquisadores, algumas pessoas podem se beneficiar mais da estrutura proporcionada pelas refeições, enquanto outras podem responder melhor ao desenvolvimento de habilidades de autorregulação. Os achados indicam, segundo os autores, que um suporte não farmacológico estruturado pode ajudar a amortecer as pressões fisiológicas e comportamentais que impulsionam o reganho após a suspensão dos GLP-1. O período imediatamente posterior à interrupção aparece, portanto, como uma possível janela importante para a adoção dessas estratégias. Peso mudou, mas dieta e percepção de saúde não Apesar da diferença no peso, os pesquisadores não encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os três grupos na qualidade da dieta, na percepção sobre a própria saúde, na adesão ou na satisfação com as estratégias utilizadas. No grupo das refeições, os participantes relataram consumir, em média, 8,08 das dez refeições semanais previstas. Já aqueles que receberam o aplicativo disseram utilizá-lo, em média, 2,8 dias por semana. Os pesquisadores levantam algumas explicações para a aparente contradição entre a balança e os questionários. Mudanças objetivas no organismo podem surgir antes que a própria pessoa perceba alterações na alimentação ou na saúde. Além disso, questionários estão sujeitos a vieses e diferenças na interpretação das perguntas. Outra possibilidade é que as intervenções tenham influenciado o peso por mecanismos que não foram adequadamente captados pelas avaliações usadas no estudo. Estudo é pequeno e não permite conclusões definitivas Apesar dos resultados, os próprios autores pedem cautela. O estudo foi concebido como um ensaio piloto, ou seja, não tinha poder estatístico para testar de forma definitiva a eficácia das intervenções. A meta inicial era recrutar 60 participantes, mas apenas 39 entraram no trabalho e 34 realizaram a pesagem final. Além disso, a amostra tinha características que dificultam generalizar os resultados para toda a população: a maioria dos participantes era formada por mulheres, pessoas com escolaridade relativamente alta e renda estável. Outra limitação importante é o tempo. Como o acompanhamento durou somente quatro meses, não é possível saber se a diferença no reganho de peso persistiria no longo prazo. Os autores afirmam que novos trabalhos deveriam acompanhar os pacientes por pelo menos um ano. Os pesquisadores também destacam que a literatura científica sobre como evitar o reganho depois da suspensão dos GLP-1 ainda é limitada. A maior parte dos trabalhos anteriores se concentrou em demonstrar que o peso volta depois que o medicamento é retirado, e não em testar maneiras de evitar ou reduzir esse processo. Por isso, os resultados não demonstram que aplicativos ou refeições prontas sejam uma solução definitiva para quem deixa de usar medicamentos da classe. Eles apontam, porém, para uma possibilidade: o período imediatamente posterior à interrupção pode exigir uma estratégia ativa de manutenção do peso, em vez de simplesmente encerrar o tratamento sem suporte adicional. Estudos maiores, com populações mais diversas e acompanhamento prolongado, ainda serão necessários para determinar se essas estratégias funcionam no longo prazo e quais pacientes têm maior probabilidade de se beneficiar de cada uma delas.